Magalu: Quando a empresa não vira a cara à violência doméstica

Em pleno século XXI, muitas mulheres continuam a enfrentar o terror dentro de casa — e não é raro que essa violência se estenda à vida profissional. O medo, o isolamento e a dependência financeira tornam a denúncia ainda mais difícil. Mas no Brasil, país onde mais de mil mulheres são assassinadas todos os anos, uma empresa decidiu quebrar esse ciclo e provar que as organizações também têm um papel essencial na luta contra a violência doméstica.

O Magazine Luiza — ou Magalu, como é conhecido — criou em 2017 o Canal Mulher, um serviço interno que oferece apoio directo e imediato a colaboradoras vítimas de violência. Esta linha de ajuda nasceu após o assassinato de Denise Neves dos Anjos, gestora de loja, morta pelo companheiro. Desde então, mais de 700 mulheres receberam apoio da empresa: habitação segura, rendas pagas, garantias contratuais, apoio legal e psicológico.

Este programa vai muito além de uma linha de denúncia. É uma verdadeira rede de resposta rápida, com equipas de psicólogas, assistentes sociais e profissionais da área legal prontas a intervir. Em casos urgentes, a Magalu realoja mulheres e filhos em segurança em menos de 48 horas. Para muitas, é a primeira vez que se sentem protegidas e acompanhadas.

Uma referência no combate à violência doméstica

Num país onde os feminicídios aumentam e a violência de género continua muitas vezes invisível, o modelo do Magazine Luiza destaca-se como exemplo de responsabilidade social corporativa com impacto real. A empresa assume que proteger as suas colaboradoras também é um dever — e não tem medo de se envolver.

Actualmente, o programa tem cerca de 100 casos activos, 60 dos quais considerados de alto risco. Mas mais do que números, o que impressiona é a coragem de uma empresa que escolheu olhar para as suas trabalhadoras com humanidade. Que não ficou pela nota de pesar, nem delegou em serviços externos. Criou soluções, assumiu custos, liderou uma resposta que salva vidas.

Note-se que no Brasil a cada sete minutos uma mulher é vítima de violência doméstica, e menos de 10% dos casos são notificados à polícia.