A 19 de março de 2015, em Cabul, Afeganistão, Farkhunda Malikzada, uma jovem estudante de 27 anos de estudos islâmicos, foi espancada até à morte por cerca de 150 homens, numa reação brutal a uma acusação falsa de queimar o Alcorão. Na verdade, Farkhunda apenas havia questionado práticas supersticiosas num santuário local — e pagou com a vida pelo simples ato de pensar por si mesma.
O linchamento foi público e horrível: foi arrastada pelas ruas, espancada e morta num ato de violência que chocou o mundo. A sua morte tornou-se símbolo do perigo que muitas mulheres enfrentam quando ousam levantar a voz contra injustiças, tradições ou abuso.
O impacto foi imediato. Centenas de mulheres e homens saíram às ruas de Cabul em protestos, exigindo justiça para Farkhunda e o fim da violência contra mulheres. O caso levou a uma investigação que identificou os culpados, e alguns foram condenados — embora a dor e a perda permaneçam.
Farkhunda Malikzada transformou-se num símbolo global de resistência feminina. A sua vida e morte lembram-nos que a luta por voz, espaço e dignidade ainda é urgente. Relembrar a sua história é honrar todas as mulheres que foram silenciadas, e reafirmar que coragem e autenticidade nunca são em vão.

