O movimento roxo na África do Sul: um grito contra a violência doméstica

A África do Sul está a pintar-se de roxo. O movimento Purple Movement, liderado pela organização Women For Change, transformou uma cor em símbolo de luta, luto e esperança. O roxo representa dignidade, coragem e a recusa em permanecer em silêncio perante a epidemia de violência doméstica e de género que assola o país.

Todos os dias, dezenas de mulheres e meninas são agredidas, violadas ou mortas pelos próprios parceiros. Segundo dados da Women For Change, uma mulher é assassinada a cada 2,5 horas na África do Sul. Este número brutal revela uma realidade que já não pode ser ignorada — e que o movimento quer ver reconhecida como crise nacional.

A campanha apela a todas as pessoas para se vestirem de roxo, trocarem as fotos de perfil nas redes sociais e, no dia 21 de novembro, pararem por 15 minutos ao meio-dia, em homenagem a todas as vítimas. A proposta vai além do gesto simbólico: pede um “shutdown” nacional, em que as mulheres não trabalhem, não comprem e não consumam, para mostrar o impacto social e económico da sua ausência.

Mais do que uma cor ou uma hashtag, o roxo tornou-se uma forma de dizer chega. É uma manifestação silenciosa, mas poderosa, que une vítimas, sobreviventes e aliadas numa mesma causa: o direito a viver sem medo.

Este movimento traz uma mensagem global. A violência doméstica não é um problema sul-africano — é um problema humano. A cada mulher que é calada, há uma sociedade inteira que se empobrece. E a cada mulher que se levanta, nasce uma nova esperança.

Por isso, vestir-se de roxo é mais do que um ato de solidariedade — é um gesto político, emocional e profundamente humano. É olhar para o lado e dizer: “Eu vejo-te. Eu acredito-te. E estou contigo.”

Photo Credit: Women for Change via Instagram