Em 2025, apenas 27 dos 195 países reconhecidos internacionalmente são liderados por mulheres — cerca de 14% do total. Embora ainda sejam uma minoria, estas líderes femininas têm deixado uma marca profunda e positiva, mesmo num cenário mundial marcado por múltiplos conflitos armados e tensões políticas. Um facto notável é que nenhum dos países atualmente governados por mulheres está envolvido em guerra.
Este dado, longe de ser coincidência, sugere uma abordagem mais diplomática e cooperante na resolução de crises — uma liderança que valoriza o diálogo em vez do confronto, e que tende a privilegiar soluções sustentáveis e humanas.
Líderes como Claudia Sheinbaum, presidente do México, têm promovido políticas focadas na inclusão social e sustentabilidade ambiental. Em África, Samia Suluhu Hassan, presidente da Tanzânia, tem reforçado a saúde pública e a diplomacia regional. Maia Sandu, presidente da Moldávia, é exemplo de liderança dedicada ao combate à corrupção e fortalecimento das instituições democráticas. Na Europa, Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, destacou-se pela gestão eficaz da pandemia, combinando ciência com solidariedade social. Ingrida Šimonytė, primeira-ministra da Lituânia, tem defendido políticas económicas sólidas e cooperação europeia, enquanto Katerina Sakellaropoulou, presidente da Grécia, tem sido uma voz ativa na defesa dos direitos humanos e da igualdade de género. Estas mulheres mostram que a liderança feminina pode construir sociedades mais justas, equilibradas e sustentáveis.
O primeiro ano de Claudia Sheinbaum
Durante o seu primeiro ano como Presidente do México, Claudia Sheinbaum implementou uma política firme de combate ao crime organizado, em particular ao roubo de combustível, conhecido como “huachicol”. Em menos de doze meses, foram apreendidos mais de 39 milhões de litros, sinal de uma estratégia com resultados concretos. Ao mesmo tempo, promoveu uma reforma profunda na área da segurança, conseguindo reduzir os homicídios em 16,3% e os crimes contra mulheres em 26,5% apenas entre setembro e dezembro. A sua visão de progresso incluiu também o relançamento de grandes projetos de infraestruturas, como a expansão do Tren Maya, planos para 3 000 km de novas linhas ferroviárias e a modernização de seis portos estratégicos. No plano social, Sheinbaum deu prioridade às mulheres e à justiça intergeracional: criou pensões para mulheres entre os 60 e os 64 anos, lançou bolsas de estudo universais e reforçou os direitos de igualdade de género na constituição mexicana. A nível ambiental, reafirmou o caráter público das empresas energéticas CFE e Pemex, com metas ambiciosas — como atingir 45% de energia limpa até 2030 — e apostou fortemente em transporte sustentável como caminho para um México mais moderno e justo.
O legado de Samia Suluhu Hassan
Na Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, a primeira mulher a liderar o país, tem deixado um legado transformador na saúde pública. Desde que assumiu o poder, o número de unidades de saúde cresceu de 6 790 para mais de 11 000, permitindo que cerca de 78% da população tenha agora acesso a cuidados médicos essenciais. Este avanço refletiu-se também na redução drástica da mortalidade materna: de 556 mortes por 100 000 nascimentos, em 2015, para apenas 104 em 2022. A nível regulatório, a Tanzânia tornou-se pioneira em África ao alcançar o nível 3 da Organização Mundial de Saúde na autoridade nacional de medicamentos — um feito histórico para o continente. No pós-pandemia, Samia lançou programas de estímulo económico centrados nas pequenas e médias empresas, com incentivos fiscais, isenções de impostos e investimento em energia renovável, redes ferroviárias e zonas económicas especiais. A sua liderança é ainda marcada por um forte compromisso com a inclusão: nomeou mulheres para cargos-chave, incluindo a pasta da Defesa, e construiu um governo representativo de todas as regiões, incluindo Zanzibar. O seu estilo diplomático e integrador tem contribuído para a estabilidade e crescimento da Tanzânia num contexto global adverso.
Mulheres que lideram o mundo em 2025
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Claudia Sheinbaum — presidente do México (desde outubro de 2024)
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Dina Boluarte — presidente interina do Peru (desde dezembro de 2022)
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Xiomara Castro — presidente de Honduras (desde janeiro de 2022)
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Sylvanie Burton — presidente da República Dominicana (desde outubro de 2023)
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Sandra Mason — presidente de Barbados (desde novembro de 2021)
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Christine Kangaloo — presidente de Trinidad e Tobago (desde março de 2023)
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Mette Frederiksen — primeira-ministra da Dinamarca (desde junho de 2019)
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Evika Siliņa — primeira-ministra da Letónia (desde setembro de 2023)
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Ingrida Šimonytė — primeira-ministra da Lituânia (desde dezembro de 2020)
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Borjana Krišto — presidenta do Conselho de Ministros da Bósnia e Herzegovina (desde janeiro de 2023)
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Gordana Siljanovska-Davkova — presidente da Macedónia do Norte (desde maio de 2024)
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Myriam Spiteri Debono — presidente de Malta (desde abril de 2024)
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Hilda Heine — presidente das Ilhas Marshall (desde janeiro de 2024)
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Nataša Pirc Musar — presidente da Eslovénia (desde dezembro de 2022)
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Katerina Sakellaropoulou — presidente da Grécia (desde março de 2020)
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Vjosa Osmani — presidente do Kosovo (desde abril de 2021)
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Salome Zourabichvili — presidente da Geórgia (desde dezembro de 2018)
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Maia Sandu — presidente da Moldávia (desde dezembro de 2020)
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Samia Suluhu Hassan — presidente da Tanzânia (desde março de 2021)
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Sahle-Work Zewde — presidente da Etiópia (desde outubro de 2018)
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Victoire Tomegah Dogbé — primeira-ministra do Togo (desde setembro de 2020)
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Harini Amarasuriya — primeira-ministra do Sri Lanka (desde setembro de 2024)
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Paetongtarn Shinawatra — primeira-ministra da Tailândia (desde agosto de 2024)
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Judith Suminwa — primeira-ministra da República Democrática do Congo (desde junho de 2024)
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Ursula von der Leyen — presidente da Comissão Europeia (desde dezembro de 2019)
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Roberta Metsola — presidente do Parlamento Europeu (desde janeiro de 2022)
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Christine Lagarde — presidente do Banco Central Europeu (desde novembro de 2019)

