Coletivos feministas unem-se contra revogação da lei que protege grávidas de violência obstétrica

Mais de 20 organizações feministas em Portugal estão a mobilizar-se contra uma proposta legislativa do CDS-PP que pretende revogar a lei que reconhece a violência obstétrica como uma forma de abuso institucional.

Revogação da lei sobre violência obstétrica em Portugal levanta críticas de coletivos feministas

A proposta será discutida na Assembleia da República já esta sexta-feira, e o alerta chegou através de uma carta aberta, onde os coletivos denunciam a medida como um ataque aos direitos das mulheres na gravidez e no parto.

O que está em causa com esta proposta?

A Lei da Promoção dos Direitos na Gravidez e no Parto, em vigor desde 2023, foi um passo decisivo no reconhecimento legal de práticas médicas desrespeitosas ou traumáticas, como:

  • intervenções sem consentimento informado,

  • comentários humilhantes ou discriminatórios,

  • recusa de analgesia,

  • separação forçada entre mãe e recém-nascido,

  • e esterilizações forçadas, particularmente em mulheres vulneráveis.

A revogação, segundo as organizações, seria “um retrocesso civilizacional” e um ato de violência institucional, ignorando dados da OMS e do Comité para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres que documentam estas práticas como violações dos direitos humanos.

Por que é importante manter a lei?

As associações lembram que esta legislação nasceu de anos de denúncias, estudos e testemunhos reais de mulheres portuguesas que sofreram no sistema de saúde. A sua revogação pode abrir espaço para a impunidade e dificultar ainda mais o combate à violência obstétrica em Portugal — uma realidade ainda invisibilizada, especialmente entre mulheres negras, migrantes, ciganas e com deficiência.

O apelo à ação

Organizações como a UMAR, A Coletiva, As DEsaFiantes e Feministas.pt pedem ao Parlamento que promova um debate sério e informado, com diálogo entre utentes, especialistas e profissionais de saúde, com vista a melhorar e regulamentar a aplicação da lei, e não a apagá-la.

“Em vez de destruirmos um avanço histórico, devemos garantir que cada mulher em Portugal tem acesso a um parto seguro, respeitado e digno.”

📌 Consulta a carta aberta aqui: Carta aberta e assinatura