O Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, está no centro de uma polémica intensa após ter partilhado nas suas redes sociais um vídeo em que pastores cristãos nacionalistas advogam a revogação do direito de voto das mulheres. A iniciativa, que recebeu mais de 12 000 “gostos” e 2 000 partilhas, suscitou apreensão entre ativistas e figuras políticas de diferentes quadrantes.
No vídeo original, divulgado pela CNN, o pastor Doug Wilson — líder da rede de igrejas Communion of Reformed Evangelical Churches — defende um modelo de “voto por agregado familiar”, onde o pai seria o único a expressar-se. Outros participantes ampliam a crítica, afirmando que “mulheres devem submeter-se aos maridos” e que sodomia deveria ser novamente ilegalizada. Hegseth acompanhou o vídeo com a frase “All of Christ for All of Life”, sinalizando apoio à mensagem.
A partilha gerou críticas firmes. O grupo Vote Common Good, que representa evangélicos progressistas, classificou o conteúdo como ideias de uma “minoria cristã marginalizada” e “muito perturbadoras”. A associação Secure Families Initiative, que representa famílias de militares, exigiu a demissão de Hegseth, sublinhando que a mensagem coloca em causa os direitos das esposas de militares, que são maioritariamente mulheres.
Além disso, jornalistas e meios de comunicação como o The Guardian alertam para os efeitos corrosivos desta ideologia no interior das Forças Armadas. As decisões de recrutamento e inclusão de tropas estão a ser questionadas, com receio de que a promoção de valores ultraconservadores prejudique a coesão institucional e os valores democráticos da instituição.
Esta crise evidencia a crescente influência de correntes de nacionalismo cristão dentro da administração americana, especialmente em posições estratégicas como o Pentágono. O gesto de Hegseth levanta questões urgentes sobre os limites entre fé pessoal e políticas públicas, e o efeito que visões religiosas ultraconservadoras podem ter sobre os princípios democráticos e de igualdade.

