Ultimamente tenho pensado muito na ideia de viajar sozinha. Não aquela viagem solitária de quem foge do mundo, mas sim a jornada consciente de quem escolhe reconectar-se consigo mesma, mudar de ares, ganhar força. E nesse caminho, descobri algo que me tocou: a HerHouse, uma aplicação pensada por e para mulheres que querem explorar o mundo com mais liberdade, segurança e sentido de comunidade.
A HerHouse não é mais uma app de alojamento — é um verdadeiro movimento de sororidade global. Funciona como uma rede de mulheres que se acolhem mutuamente, oferecendo estadias gratuitas, em mais de 25 países, entre viajantes femininas que passam por verificação de segurança. É uma alternativa segura, feminista e profundamente humana ao modelo comercial de turismo a que estamos habituadas.
O que me encantou foi a filosofia por trás. A ideia de que podemos viajar sem pagar por um hotel, mas com um valor muito maior: o da confiança mútua. De um lado, há uma mulher a abrir a porta da sua casa; do outro, uma mulher a chegar, com a mochila às costas e o coração aberto. Entre elas, o respeito, o cuidado e a sensação de que estamos todas no mesmo barco.
Há também um lado bonito de rede: a app permite criar pequenos grupos por interesses, idades ou momentos de vida — os chamados HerCircles — como por exemplo mulheres recém-divorciadas, mães em pausa, reformadas, nómadas digitais, entre outras. Isso permite não só encontrar alojamento, mas também companheiras de viagem, conversas com sentido, e até eventos organizados localmente.
A fundadora da HerHouse, Tess Millhollon, criou a aplicação depois de uma viagem a solo que mudou a sua vida. Percebeu como esta experiência podia ser curativa, mas também arriscada — e decidiu transformar isso numa missão: criar uma plataforma onde mulheres pudessem viajar sozinhas, sem estarem sozinhas.
Não usei ainda a app, mas fiquei tão inspirada que quis partilhar. Porque acredito que precisamos mesmo de alternativas construídas por mulheres para mulheres. Precisamos de espaços onde a segurança não seja um luxo, mas um direito. Onde a generosidade não seja rara, mas o ponto de partida.
Se estás a pensar fazer uma pausa, mudar de cenário ou simplesmente ganhar coragem para te aventurares pelo mundo — talvez a HerHouse seja uma dessas portas que vale a pena bater. Às vezes, uma viagem começa assim: com uma mulher a sonhar e outra a dizer “vem, tenho aqui espaço para ti”.

